“O povo unido jamais será vencido”!

28/10/2009

Alguns estudantes da Faculdade Maurício de Nassau realizaram protesto, no dia 10 de setembro de 2009, contra a apreensão feita pela Diretoria de Controle Urbano (DIRCON) dos equipamentos e mercadorias dos ambulantes que comercializam alimentos em frente à instituição de ensino.

A DIRCON veio escoltada pela Polícia Militar para realizar a retirada dos comerciantes informais por volta das 20hs. Os estudantes impediram a saída do caminhão da Diretoria de Controle Urbano que transportava os equipamentos e mercadorias.

Com o tumulto, a PM reforçou a área e solicitou a presença do batalhão de choque para dispersar a multidão que se aglomerava na Rua Guilherme Pinto, bairro das Graças.

Texto: Rogério Balbino
Veja vídeos:



A fila não anda

08/09/2009
A agência do Banco do Brasil no bairro de Afogados, no Recife-PE, faz teste de resistência física com seus clientes

A agência do Banco do Brasil no bairro de Afogados, no Recife-PE, faz teste de resistência física com seus clientes

Só em ouvir falar de fila, o cidadão pernambucano já fica inconformado. Mas se a fila for de banco, haja paciência. Segundo o decreto nº 19.204/2002, os estabelecimentos bancários devem atender os seus clientes em no máximo 15 minutos, contados a partir do ingresso na fila de atendimento.

Esperar 15 minutos tudo bem, mas ficar aguardando o nosso tempo preciso em pé já é humilhação. Esses banqueiros só pensam nos lucros e deixam os clientes em situação de grande desconforto e frustração. A falta de fiscalização dos Procons contribui para os abusos das filas dos bancos.

Muitos estudiosos defendem a privatização das instituições públicas. Agora sim entendo toda essa teoria, pois só assim os funcionários da Caixa Econômica Federal e do Banco do Braisl iriam trabalhar e produzir cada vez mais, gerando o “lucro” e a satisfação aos clientes dessas agências bancárias.

A maioria das pessoas concursadas desses estabelecimentos bancários teme essa situação porque ou eles vão ser demitidos ou vão “trabalhar de verdade”.

Confira o que diz a lei:

Os estabelecimentos bancários devem atender os seus clientes no prazo máximo de quinze minutos, contados a partir do respectivo ingresso na fila de atendimento;

Excepcionalmente, em vésperas e após feriados prolongados, inclusive finais de semana, o prazo máximo de atendimento ao cliente será de trinta minutos;

Para a comprovação do tempo de espera, os estabelecimentos bancários devem fornecer aos seus clientes um bilhete relativo à senha de atendimento, no qual constará a identificação do estabelecimento, o número de ordem da senha, a data e horário do ingresso do cliente na fila e registro do horário do início do atendimento;

O caixa registrará o início do atendimento no bilhete por meio de uma autenticação mecânica ou chancela de máquina de protocolo com o horário correspondente;

O Procon Recife tem competência de ofício para promover a fiscalização do cumprimento da lei, bem como aplicar multas e advertências;

Os estabelecimentos bancários dispõem do prazo de trinta dias para implantar os procedimentos necessários para o cumprimento do decreto nº 19.204/2002.


Texto e foto: Rogério Balbino
Fonte: Ministério Público de Pernambuco


Aquele dia lá

13/08/2009

São 12h41 de uma segunda-feira. Estou na Praça 13 de Maio esperando o tempo passar. Daqui a pouco tenho que ir para o trabalho. Pombos procuram alimentos no chão numa caçada em busca da procriação da espécie. As crianças brincam e as aves medrosas voam num balé existencial. A inocência infantil passa por estágios ora traumáticos, ora de conto de fadas. Essa é cronologia espaço-temporal.

Agora são 13h05. Esperar para ir em qualquer lugar é o meu objetivo. “A reserva nada mais é do que o medo de sofrer”, esclareceu aquela mulher de vestido vermelho provocante que transpareceu a idéia com metalinguística.

É salgado, doce e é a R$ 50. A negociação de bens na escuridão da justiça se transforma em mau material ilícito, quando o relógio anunciou 13h15. A velocidade da viagem e a temperatura das idéias. Cheguei atrasado quero uma massagem cerebral.

Texto: Rogério Balbino


VEM quente que eu estou fervendo

31/07/2009

O novo sistema desenvolvido pelo Grande Recife Consórcio de Transporte, que possibilita os estudantes da região metropolitana do Recife realizarem a compra de créditos para carregar o Vale Eletrônico Metropolitano (VEM) em casas lotéricas, parece não ajudar muito.

Chega o final de mês e o início do próximo e aquela velha história se repete: o posto de carregamento do VEM, na Praça Maciel Pinheiro, 342, Boa Vista, área central do Recife, fica lotado e os estudantes se aglomeram dentro da pequena sala, ficando desesperados para sair logo daquele “inferno”.

Realizar a recarga do “bendito” VEM. Esse é o objetivo de todos. No cubículo desse posto, apesar da humilhação sofrida pelos pais e estudantes, há uma interação de pessoas anônimas de todos os gêneros, escolaridades, classes, espécies, tamanhos, cores e formas.

Um a trás do outro e o balé de passos arrastados por sandálias, sapatos, tênis e feições realizam uma coreografia nunca imaginada por Débora Colker. Na fila, os rostos desconhecidos se encontram e deixam de ser nunca vistos quando há o “olhos nos olhos”. Para uns esse instante, de vai e volta na fila, é uma maneira de paquerar. Para outros, não há tempo de pensar, pois o calor da fornalha aquece as ideias e o corpo também.

Ir e vir é o que garante a constituição brasileira, seja a pé ou em qualquer transporte. Mas, se você for estudante no Recife e quiser se locomover de ônibus vai ter que enfrentar o mar de gente entupida na fornalha do posto de recarga do VEM.

Então, “VEM quente que eu estou fervendo”.

Texto e foto: Rogério Balbino

Posto de recarga do VEM é o verdadeiro pesadelo para pais e estudantes

Posto de recarga do VEM é o verdadeiro pesadelo para pais e estudantes


Amanhã começa tudo de novo

01/07/2009

Como de costume, saí de casa às 12h30 para chegar ao estágio. Da minha residência até a Estação Santa Luzia, do Metrô Recife, são 10 minutos de caminhada. Nesse intervalo de tempo, entre buzinas de carros e a pressa das pessoas, penso na situação social em Pernambuco.

Já dentro do metrô, às 12h51, estou de pé. No horário do almoço, é comum o sistema de transporte público ficar lotado, ainda mais quando esse tipo de serviço faz parte do Sistema Estrutural Integrado (SEI), que garante o deslocamento das pessoas pela Região Metropolitana do Recife através de uma única passagem. Para economizar dinheiro, pois a tarifa de ônibus recifense é cara em relação à distribuição de renda no Estado, os cidadãos têm que utilizar esse sistema “estruturado”.

Antes de chegar ao meu destino (Estação Barro), um homem entra no vagão do trem em que estou. Ele parece ser uma pessoa como outra qualquer, com defeitos e virtudes transparecendo no semblante. De repente, o homem tira da sacola uma caixa de chicletes para vender o doce às pessoas amargas que franzem a testa e o contemplam com um olhar de desdém. Alguns passageiros ajudam o “pobre coitado” e compram as balas, outros apenas olham para o infinito querendo não enxergar o desemprego ambulante.

A estação do Barro faz parte do SEI, ou seja, sufoco à vista. Espero o ônibus da linha Barro Macaxeira (BR-101) na plataforma de embarque. Muita gente se espreme na fila para entrar no coletivo. Percebi, infelizmente, que a maioria dos recifenses não tem educação, pois não respeita a fila. Ou eles estão atrasados para chegar em seus compromissos, ou são mal educados mesmo.

cadê a fila

cadê a fila?

Dentro do ônibus, e novamente em pé, olho pela janela as paisagens estáticas que se movimentam com o andar da quilometragem. Eis que surge uma menina de mais ou menos 10 anos e interrompe a monotonia da viagem para pedir dinheiro. A jovem vítima do capitalismo diz que o pai morreu, a mãe está desempregada e tem cinco irmãos que estão passando necessidades. O velho ao meu lado disse que não dá esmolas de jeito nenhum porque a mãe dela deveria ter se precavido e não ter engravidado várias vezes.  A senhora de óculos à minha direita pega a bolsa e dá umas moedas à menina e eu fico só olhando a capacidade do ser humano decidir se ajuda o próximo, mesmo que seja temporariamente, ou se reclama, com juízo de valor, sem fundamentos.

Aperto o botão para o ônibus me deixar no próximo ponto de parada. As idéias estão a mil. Pensei na vida que os parlamentares levam, nas festas onde uma única garrafa de vinho pode custar até R$ 1.000 e comparei com a situação de meninas como aquela do ônibus que nessa faixa etária deveriam estar na sala de aula, mas estão à procura da sobrevivência no país da corrupção. É triste pensar que alguns políticos se elegeram através da inocência do povo. A noite passa. O tempo passa e amanhã começa tudo de novo.

Texto: Rogério Balbino
Foto: Guga Matos