Cadê a relação?

11/03/2010

O tempo passa. O pensamento eurocêntrico, que considerou a noção de progresso histórico, revelou como a humanidade evoluiria de estágios menos aperfeiçoados para uma posição sócio-cultural melhor. Durante esses anos, as relações humanas modificaram a convivência entre os seres racionais. Agora, homens e mulheres se relacionam pelo meio virtual em detrimento do contato físico.

A capacidade de convívio entre os hominídeos surgiu na África há mais de quatro milhões de anos. O primeiro gênero a ter feições humanas, andar bípede e postura ereta, foi o Australopithecus. A partir disso, o homem começou a traçar seu destino e evolui para o Homo Sapines. Milhões de anos decorridos desde a vinda do primeiro primata à Terra os seus descendentes  passaram por estórias de impérios, revoluções e guerras mundiais. Hoje, as pessoas parecem que regrediram em relação ao contato interpessoal.

Com o avanço tecnológico dos meios de comunicação foi possível desenvolver o sistema de envio e recebimento de dados em tempo real: a Internet. Essa ferramenta ajudou e continua a contribuir para o desenvolvimento econômico mundial, mas as relações humanas estão mais virtuais do que pessoais. Tudo é feito pela navegação da Word Wide Web (WWW) que vai de pesquisas e compras até namoros e sexo. Atrás das teclas de computadores nós, internautas assíduos, nos escondemos e digitamos quem queremos ser, construindo psuedo-imagens pessoais convertidas em códigos binários sequenciados com a própria rejeição. Por que fazemos isso?

A sociedade estabelece padrões de beleza e comportamentos e até a própria mídia também influencia os caminhos da moda. Se não nos encaixamos nesse perfil de artistas “globais”, que aparentam ter a felicidade eterna, viveremos infelizes querendo copiar os gostos e costumes desses semi-deuses.

O fato é que ninguém quer permanecer na solidão. Este estado de individualização é suprido por horas e horas em salas de batepapo e em sites de relacionamento. De um lado alguém diz gostar disso e daquilo, e do outro pessoas que concordam e acreditam fielmente no enunciado duvidoso. Nunca foi tão fácil conhecer pessoas de qualquer parte do mundo com a Internet, mas também sempre é complicado confiar no que nosso estado de isolamento sentimental procura aceitar.

A solidão provoca incompreensão!

Texto: Rogério Balbino
Foto: Leodomiro Neto


Futuro do radiojornalismo

09/07/2009
Primeira transmissão de rádio oficial aconteceu no dia 7 de setembro de 1922

Primeira transmissão de rádio oficial no Brasil aconteceu no dia 7 de setembro de 1922

O rádio está incorporado na rotina de 87,9% da população brasileira, de acordo com pesquisa publicada na revista Mídia com Democracia. As informações transmitidas pelo rádio são veiculadas via ondas eletromegnéticas em Amplitude Modulada (AM) e Frequência Modulada (FM). A linguagem no rádio é diferente da dos outros meios de comunciação. Os textos radiofônicos obedecem às regras de contrução verbal adequando-se à linguagem direta e coloquial. Muitos estudiosos afirmam que, com a chegada da TV, o rádio iria acabar. Erro deles. Na segunda etapa da evolução dos meios de comunicação, os mesmos estudiosos disseram novamente que o rádio iria desaparecer com a implantação da internet. Outra vez a teoria foi aniquilada.

Sabemos que o mundo das telecomunicações avança sobre os serviços de radiodifusão. Um dos pontos fortes do radiojornalismo é a velocidade na transmissão das informações. Enquanto o âncora de um programa de rádio está no estúdio, um repórter pode falar com ele de qualquer lugar do mundo via telefone celular e entrar no ar, ao vivo, relatando os fatos. O rádio também pode servir de pauta para os outros meios de comunicação. Os programas jornalísticos de TV, os jornais e a internet utilizam a rádio-escuta para elaborar as matérias e reportagens.

A internet não veio para acabar com o rádio, mas para realizar a convergência das informações entre outros meios de comunicação. A empresa que trabalha com um sistema integrado de comunicação tem mais eficiência e rapidez no repasse dos conteúdos informacionais, além de proporcionar credibilidade à sociedade.

Um dos temas discutidos em relação ao rádio é a digitalização. Esse processo pode proporcionar àudio de melhor qualidade, serviços interativos, economia de potência na transmissão e ampliação do númeo de emissoras. Está em jogo um mercado de bilhões de reais, que promete gerar novas oportunidades de negócios e movimentar a indústria de componentes eletrônicos. Quatro consócios internacionais estão na disputa da preferência dos radiodifusores brasileiros na digitalização sonora: o norte-americano Iboc (In-Band On-Channel), os europeus DAB Ereka (Digital Áudio Broadcasting) e DRM (Digital Radio Mondiale) e o japonês ISDB (Integrated Services Digital Broadcasting-Territorial). Várias emissoras realizaram testes com os quatro modelos, mas elas simpatizaram com o padrão Iboc da empresa iBiquity.

A importância da radiodifusão sonora é reconehcida. Reivindicar políticas de desenvolvimento científico, tecnológico e industrial que sustentem uma rádio apta aos desafios do novo milênio também é válido. Adotar qualquer solução técnica e operacional sem considerar as transformações do mundo, ou mesmo, tentar impedi-las por artifícios políticos resultará na gradativa extinção da radiodifusão brasileira.

Texto: Rogério Balbino
Foto: denielrocha.files.wordpress.com/…/radio1.jpg


Cigarro: não queime sua vida

09/07/2009

A comercialização e a publicidade de cigarros é um tema muito polêmico. De um lado, as empresas fabricantes do produto não querem perder os lucros das vendas, mesmo sabendo dos males que os fumantes adquirem com o vício do outro, pesquisadores, médicos e ex-fumantes lutam para acabar de vez com o cigarro.

Para algumas empresas, comercializar o tabaco é uma forma de democracia liberal, ou seja, é um conjunto de princípios e práticas que protegem a liberdade de expressão e de idéias. Mas produzir, expor e vender cigarros não é uma forma de encurtar a vida? É verdade e você sabe disso.

Segundo a Organização Mudial de saúde (OMS), o cigarro quando usado diminui a vida de cerca de 50% de seus consumidores, e por isso tem sido rejeitado pela maior parte dos países desenvolvidos. O fumo é a principal causa de morte que pode ser previnida nesses países. No Brasil, cerca de 200 mil pessoas ao ano têm sua vida reduzida pelo fumo.

Estudos mostram que a proibição da propaganda diminui o consumo de cigarros. Na Nova Zelândia, Canadá e Finlândia, as pesquisas demonstraram que o consumo decresceu de 7% para 4% no primeiro ano. Outro dado analisado no estudo foi que a propaganda não altera o comportamento de quem fuma e somente 10% dos fumantes mudam de marca em ano. A pesquisa também aponta que a propaganda influencia crianças e adolescentes a iniciarem o consumo do tabaco.

De acordo com estudos do Banco Mundial, a cada maço de cigarros nos Estados Unidos, se geram U$ 2 em custos na saúde. Foi baseado nessas informações que o Banco Mundial iniciou uma política para impedir o uso de tabaco por meio do sistema de taxações. A medida proíbe o financiamento para plantações ou mercados de tabaco e, mais importante, permite aos governos excluir importações de cigarros dos acordos internacionais de liberalização de comércio.

Esse é o futuro da sociedade? Jovens que começam a fumar desde cedo contraem as várias formas de câncer e morrem na flor idade sem ter aproveitado a vida e deixando parentes e amigos com “saudades antes do tempo?”. Sabemos que as pessoas têm o direito de fazerem o que quiser com as próprias vidas, mas deixar que todos se prejudiquem, fumantes e não-fumantes, por causa do capitalismo é uma idéia genocida.

Texto: Rogério Balbino
Foto: ceraunavolta.files.wordpress.com/…/cigarro.jpg

cigarro x vida

cigarro x vida