Debate sobre a reformulação da TV Pernambuco

24/03/2010

Discutir um diagnóstico e uma proposta de gestão da TV Pernambuco foram os assuntos apresentados no dia 23 de março no auditório do Porto Digital, Rua do Apolo, 181, Bairro do Recife.

Mediado pelo novo diretor-presidente da TV PE, Roger de Renor, o encontro teve como palestrantes o jornalista do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação -, Jonas Valente, e da radialista e diretora da TV Aperipê, Indira Amaral. Produtores independentes, artistas e integrantes da sociedade civil também estiveram presentes.

O jornalista Jonas Valente iniciou o debate comentando sobre o sistema público de comunicação no mundo em relação aos países que têm TV’s públicas. Ele abordou também a importância desse tipo de mídia, pois serve como instrumento em que a sociedade possa se conhecer e reconhecer.

Valente acredita que a TV Pernambuco tenha no conselho gestor qualidade técnica e transparência nos métodos de escolha de participantes e da administração desse meio de comunicação em relação aos investimentos.

A construção da TV no Brasil foi um dos temas abordados pela radialista Indira Amaral no que diz respeito à propriedade cruzada, ou seja, concentração de vários veículos de comunicação por uma única pessoa. Esse tipo de “monopólio” é proibido no EUA, segundo a comunicadora.

Indira defende que as emissoras que atendem a rede pública de televisão devam seguir um mesmo sistema de gestão, mas com particularidades culturais em cada estado.

O debate teve também a participação rápida da gestora da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco, Luciana Santos, e do radialista e professor da UFPE, José Mário Austregésilo.

Ao fim da explanação dos componentes da mesa, o microfone foi aberto ao público para esclarecimentos de dúvidas.

Texto: Rogério Balbino


O recreio

20/03/2010

As pessoas no mundo das imagens
a cada espelho, formas preocupadas.
Imperfeições cobrem maquiagens
E eu com sombras indeterminadas.

Você tem que saber:
o conteúdo está na vitrine
plásticas até no cine
não consigo entender.

A arte daqueles personagens
referencia a humildade consignada.
Cabeças pensam bobagens
e a hora chega atrasada.

A postura crítica define.
Leia mais e não buzine.
Opiniões do falso moralismo
agora é aula de jornalismo.

Texto e foto: Rogério Balbino


Poloticagem

15/03/2010


O centro é polarizado.
Do lado direito a esquerda
faz oposição, então
que caminhos devemos seguir?
Vou sugerir Av. da Compreensão.

A dúvida faz parte do sistema, problema
que ataca ferozmente.
Esse mundo mata tanta gente.
Sem saber que já morreu,
o princípio escafedeu.

Todo homem que mente
de gravata e terno sorridente
não vê a vida do indigente.

Texto: Rogério Balbino
Foto: Gabriel Muniz


Cadê a relação?

11/03/2010

O tempo passa. O pensamento eurocêntrico, que considerou a noção de progresso histórico, revelou como a humanidade evoluiria de estágios menos aperfeiçoados para uma posição sócio-cultural melhor. Durante esses anos, as relações humanas modificaram a convivência entre os seres racionais. Agora, homens e mulheres se relacionam pelo meio virtual em detrimento do contato físico.

A capacidade de convívio entre os hominídeos surgiu na África há mais de quatro milhões de anos. O primeiro gênero a ter feições humanas, andar bípede e postura ereta, foi o Australopithecus. A partir disso, o homem começou a traçar seu destino e evolui para o Homo Sapines. Milhões de anos decorridos desde a vinda do primeiro primata à Terra os seus descendentes  passaram por estórias de impérios, revoluções e guerras mundiais. Hoje, as pessoas parecem que regrediram em relação ao contato interpessoal.

Com o avanço tecnológico dos meios de comunicação foi possível desenvolver o sistema de envio e recebimento de dados em tempo real: a Internet. Essa ferramenta ajudou e continua a contribuir para o desenvolvimento econômico mundial, mas as relações humanas estão mais virtuais do que pessoais. Tudo é feito pela navegação da Word Wide Web (WWW) que vai de pesquisas e compras até namoros e sexo. Atrás das teclas de computadores nós, internautas assíduos, nos escondemos e digitamos quem queremos ser, construindo psuedo-imagens pessoais convertidas em códigos binários sequenciados com a própria rejeição. Por que fazemos isso?

A sociedade estabelece padrões de beleza e comportamentos e até a própria mídia também influencia os caminhos da moda. Se não nos encaixamos nesse perfil de artistas “globais”, que aparentam ter a felicidade eterna, viveremos infelizes querendo copiar os gostos e costumes desses semi-deuses.

O fato é que ninguém quer permanecer na solidão. Este estado de individualização é suprido por horas e horas em salas de batepapo e em sites de relacionamento. De um lado alguém diz gostar disso e daquilo, e do outro pessoas que concordam e acreditam fielmente no enunciado duvidoso. Nunca foi tão fácil conhecer pessoas de qualquer parte do mundo com a Internet, mas também sempre é complicado confiar no que nosso estado de isolamento sentimental procura aceitar.

A solidão provoca incompreensão!

Texto: Rogério Balbino
Foto: Leodomiro Neto


Animal-vegetal

08/03/2010

Minhas células estão fervendo, invertendo
o processo funcional
e sem as plaquetas eu sou um amargo vegetal,
que pensa e acrescenta
uma fórmula estrutural
se o súber arrebenta,
já não sou normal.

Texto: Rogério Balbino